Secção 01

Sustentabilidade em Portugal

Um retrato em construção: o enquadramento que obriga as empresas a prestar contas, os temas que acompanhamos de perto e as perguntas que ainda não têm resposta.

A sustentabilidade corporativa deixou de ser um capítulo de comunicação para passar a ser matéria de relato, de auditoria e de decisão de investimento. Em poucos anos, o que era voluntário tornou-se progressivamente exigível: métricas comparáveis, informação verificada e responsabilidade sobre toda a cadeia de valor.

Em Portugal, essa mudança encontra um tecido empresarial muito diverso — algumas grandes empresas com equipas dedicadas e milhares de pequenas e médias empresas que recebem exigências dos seus clientes sem ter estrutura para lhes responder. É nessa distância que se joga boa parte do que aqui acompanhamos.

Seis eixos em acompanhamento

Clima e energia

Da meta à prática

Metas de redução de emissões, planos de transição, consumo energético e o modo como as empresas portuguesas traduzem compromissos climáticos em decisões de investimento.

Cadeia de valor

Onde o impacto acontece

Grande parte do impacto de uma empresa está fora das suas paredes: fornecedores, transporte, matérias-primas e condições de trabalho ao longo da cadeia.

Pessoas e trabalho

A dimensão social

Salários, segurança, igualdade, formação e diálogo social — a parte da sustentabilidade que mais diretamente se sente no quotidiano das pessoas.

Governo societário

Quem decide e responde

Como as administrações integram sustentabilidade na estratégia, quem supervisiona, que incentivos existem e como se presta contas.

Relato e verificação

O que é dito e o que é comprovado

Relatórios de sustentabilidade, indicadores, verificação independente e a distância — por vezes grande — entre comunicação e evidência.

Confiança pública

A perceção da sociedade

O que as pessoas esperam das empresas, no que acreditam e onde desconfiam. É esta dimensão que a SustentaPesquisa procura medir.

Quatro termos que explicam o resto

O vocabulário técnico afasta muita gente da conversa. Começamos por aqui, em linguagem simples.

CSRD
Diretiva europeia de relato de sustentabilidade. Alarga progressivamente o número de empresas obrigadas a reportar informação ambiental, social e de governação, com regras comuns e sujeitas a verificação.
ESRS
Normas europeias que definem o conteúdo do relato: que temas cobrir, que indicadores apresentar e como justificar aquilo que se considera material para a empresa.
Dupla materialidade
Princípio que obriga a olhar em dois sentidos: o impacto da empresa no ambiente e na sociedade, e o impacto que as questões ambientais e sociais têm no negócio.
Taxonomia da UE
Sistema de classificação que determina que atividades económicas podem ser consideradas ambientalmente sustentáveis, com critérios técnicos definidos.

As perguntas que nos guiam

  • Que empresas em Portugal têm metas verificáveis — e quais têm apenas intenções declaradas?
  • Como muda a sustentabilidade quando sai das grandes cotadas e entra nas PME que compõem a maioria do tecido empresarial?
  • Que informação chega efetivamente a trabalhadores, clientes e comunidades locais?
  • Onde estão as diferenças entre setores, regiões e dimensões de empresa?
  • O que espera a sociedade portuguesa das empresas — e essa expectativa está a ser ouvida?

A última pergunta é a que vamos responder primeiro, com a participação de quem quiser dar a sua perspetiva.

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